APÓS SUPERAR SEQUELAS DE CIRURGIA CEREBRAL, ATLETA DEFENDEU A SELEÇÃO BRASILEIRA
Vitor Dutra, de 31 anos, voltou da Copa do Mundo de Futebol PC, em Atlanta, com a medalha de bronze e se prepara para o Brasileiro pelo Vasco.
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O atacante Vitor Dutra, de 31 anos, voltou a Guarapari nesta semana com a medalha de bronze da Copa do Mundo de Futebol PC no peito e a camisa da Seleção Brasileira. O mundial foi disputado em Atlanta, nos Estados Unidos, entre os dias 11 e 25 de outubro, e o Brasil terminou a competição em terceiro lugar, com 15 gols marcados e cinco sofridos.

O futebol PC é praticado por atletas com paralisia cerebral ou outras condições decorrentes de lesões cerebrais. A trajetória de Vitor no esporte começou no campo do América, em Olaria, onde ele teve o primeiro contato com a bola ainda criança.
Cirurgias e recuperação
Em 2017, Vitor jogava futebol quando passou mal em campo e perdeu as forças do lado direito do corpo. Ele ficou internado por cerca de 60 dias e passou pela primeira cirurgia, para a retirada de um tumor. Em 2018, precisou de uma nova cirurgia por causa de uma infecção no osso e, em 2019, colocou uma placa de acrílico no crânio para fechar a região que havia ficado aberta.
As consequências das cirurgias fizeram com que ele precisasse reaprender movimentos básicos. Segundo o atleta, o mais difícil não foi disputar o mundial, mas superar as circunstâncias da vida: primeiro aprender a andar e a falar, e só depois voltar ao futebol.
“O primeiro passo foi aprender a andar, aprender a falar e depois ir para o futebol.”
Vitor Dutra, atacante da Seleção Brasileira de Futebol PC
Foi em 2021 que Vitor conheceu a modalidade, ao assistir a uma final do Campeonato Brasileiro. A partir dali, procurou a Associação Nacional de Desporto para Deficientes (ANDE), que organiza o futebol PC no país, e recebeu a indicação de uma equipe para começar a jogar. Desde então, passou por diferentes times até chegar ao Vasco, onde está desde o ano passado.
Com a camisa do Vasco, ele disputa o Campeonato Brasileiro em Curitiba, de 23 a 29 de novembro. O atleta faz questão de destacar que a empresa onde trabalha o liberou por 26 dias, sem descontos, para a primeira experiência internacional, e que também vai apoiá-lo na competição nacional.
“Hoje eu tô aqui para provar o contrário, que diagnóstico não é uma sentença.”
Vitor Dutra, atacante da Seleção Brasileira de Futebol PC
