GRUPO SE REÚNE HÁ 12 ANOS EMBAIXO DE ÁRVORE NA PRAIA DO MORRO PARA CONFRATERNIZAR
Encontros ao lado do quiosque 17 começaram com um tira-gosto solitário e hoje reúnem gente de várias cidades em torno de conversa, comida e regras próprias.
Assista à reportagem completa do Jornal Guarapari.
Um grupo de amigos se reúne há 12 anos, aos fins de semana e feriados, embaixo de uma árvore ao lado do quiosque 17, na orla da Praia do Morro, em Guarapari, para confraternizar. Numa praia conhecida pelo agito, o ponto virou referência de tranquilidade e ganhou até uma placa com o nome Grupo da Árvore.

A ideia surgiu de um aposentado mineiro, de Ubá, que passa temporadas em Guarapari e tem paixão pela cozinha. Todos os dias ele preparava um tira-gosto e levava para comer sozinho na sombra da árvore. Aos poucos, um banhista parou, outro puxou conversa, outro trouxe uma cadeira, e o almoço solitário se transformou em encontro.

Um dos integrantes conta que tinha um apartamento na Avenida Oceânica e convidou dois amigos que chegaram à cidade para ir até a árvore, levando a cachaça e o cigarro de palha de sempre. Com o tempo, o grupo foi atraindo moradores e amigos feitos ao longo dos anos em Guarapari. Doze anos depois, quem começou continua frequentando o local.
Leitão assado e regras
No feriado de 12 de outubro, o cardápio foi caprichado: um dos participantes levou um leitão assado inteiro, degustado ali mesmo, na sombra da árvore. Para os integrantes, a proposta é resgatar a conversa olho no olho, o abraço e o papo sobre qualquer assunto, menos política e internet, num mundo em que muita gente vive de cabeça baixa no celular.

Para fazer parte do grupo, porém, existem regras. Um dos frequentadores conta que chama a atenção de quem se empolga demais, que o celular é liberado só por pouco tempo e que gosta quando quem quer falar pede a palavra. Ele também interrompe quando há muita conversa cruzada.
“Celular eu deixo só um bocadinho, igual com criança. Qualquer coisa eu zango, mas zango feio.”
Integrante do Grupo da Árvore
Terapia e amizade real
Para um dos integrantes, que enfrenta a doença de Parkinson, o grupo também funciona como terapia: segundo ele, a socialização é um dos fatores que contribuem para a longevidade de quem luta contra a doença. Os participantes vêm de cidades diferentes e veem nos encontros uma forma de divulgar a amizade, o meio ambiente e a paz entre os povos.
“Ela nunca produziu fruto comestível, mas ela produziu frutos do amor, frutos de amizade, frutos de confiabilidade.”
Integrante do Grupo da Árvore