O engenheiro civil Renzo Conde, da Aguiar de Paula Engenharia, foi o convidado do episódio #126 do CondeCast, apresentado por Ricardo Conde na TV Guarapari. Na conversa, ele explicou como as novas tecnologias estão mudando os canteiros de obra, por que falta mão de obra no setor e como um prédio é construído, do terreno à entrega.
Uma obra mais industrial
Formado há mais de dez anos, Renzo acompanha a execução de empreendimentos em Guarapari. Segundo ele, a construção no Brasil ainda é muito artesanal, e o caminho é industrializar o processo para ganhar produtividade. O motivo é a mão de obra: antes, cerca de 80% do custo de uma obra ia para o material e 20% para os profissionais; hoje essa divisão já se aproxima de metade para cada lado, por causa da escassez de trabalhadores e da valorização do mercado.
Drywall, tubos flexíveis e lajes protendidas
Entre as novidades, o engenheiro destacou o drywall nas paredes internas. Ele contou que o material chegou a Guarapari com má fama, por ter sido usado em obras de menor valor, mas que, bem executado, tem desempenho acústico e térmico superior ao da alvenaria tradicional. A mudança puxa outras: a tubulação de água passa a ser feita com mangueiras flexíveis, com menos emendas e menor risco de vazamento, e a obra fica mais limpa, com menos entulho.
Na estrutura, a construtora usa lajes protendidas, mais finas e com cabos de aço por dentro, que reduzem as vigas e permitem vãos maiores. Em Guarapari, onde há limites de altura para os prédios, isso pode permitir até um andar a mais sem diminuir o pé-direito dos apartamentos.
“Essas tecnologias novas são mais fáceis de aprender do que as antigas, só que precisam de treinamento e de acompanhamento de perto”, afirmou Renzo.
As etapas de um prédio
Renzo detalhou as fases de uma obra: o estudo do terreno e dos projetos; a fundação, etapa que pode levar meses sem que o prédio “saia do chão”; a superestrutura de pilares e lajes; e as vedações e instalações, feitas em “escadinha” para a obra não parar. Ele explicou que a areia é um dos melhores solos para construir, enquanto áreas de restinga, com barro mole, podem exigir estacas tão profundas quanto a altura do prédio. Um prédio de dez andares leva cerca de três anos para ficar pronto, e o custo só da construção fica em torno de R$ 2 mil a R$ 2,3 mil por metro quadrado.
O mercado em Guarapari
Sobre o mercado local, o engenheiro apontou que a falta de terrenos perto do mar encarece o metro quadrado e leva a apartamentos menores, com preço final mais acessível e mais fáceis de manter. As construtoras da cidade costumam tocar as obras com recursos próprios, o que ajuda a explicar por que empresas de fora têm preferido investir em loteamentos.
Falta de profissionais e conteúdo nas redes
A maior dificuldade de uma obra, segundo Renzo, continua sendo a mão de obra: há muitos profissionais experientes e poucos jovens entrando na área. Ele lembrou que um pedreiro com carteira assinada recebe entre R$ 3,5 mil e R$ 4 mil, além de benefícios, e pode chegar a R$ 10 mil por mês trabalhando por empreitada.
Nas redes sociais, Renzo mostra os bastidores das obras para que o cliente entenda o que está por trás de um imóvel bem feito. O retorno, diz ele, vem de clientes, de outros profissionais e até de fornecedores interessados em apresentar novos materiais.
O CondeCast vai ao ar aos sábados, às 19h, na TV Guarapari e em todas as redes sociais da emissora.