PRESENÇA CONSTANTE DE ANDARILHOS NO CENTRO INCOMODA MORADORES E COMERCIANTES
Lojistas relatam sujeira, intimidação e insegurança no entorno da Praça Irineu José Vicente; até o playground virou abrigo.
Assista à reportagem completa do Jornal Guarapari.
Comerciantes e moradores do Centro de Guarapari reclamam da presença constante de pessoas em situação de rua no entorno da Praça Irineu José Vicente. Andarilhos dormem em calçadas, bancos de praça e embaixo de marquises, e muitos lojistas precisam começar o dia limpando a frente dos estabelecimentos antes de abrir as portas.
Uma lojista, que preferiu não ser identificada, conta que todos os dias encontra andarilhos dormindo no local quando chega para trabalhar, às 7h. Segundo ela, também é comum encontrar objetos deixados para trás, como roupas, sapatos e molhos de chaves.
“Diariamente eu chego aqui às 7 horas da manhã e está lotado de mendigo aqui.”
Lojista do Centro
A dona de uma banca de revistas e jornais na praça, que também pediu para não mostrar o rosto, afirma que a situação tem causado muitos transtornos. Ela relata que os andarilhos entram nas lojas pedindo, intimidam quem está por perto, deixam sujeira e mau cheiro e, às vezes, reagem de forma agressiva quando são questionados.
“Eles abordam, eles entram no comércio pedindo, intimidando as pessoas que estão em volta e a gente fica sem saber o que fazer.”
Dona de banca de revistas na praça
Playground virou abrigo
A dona de um café na praça diz que, além da sujeira, a presença dos andarilhos gera insegurança na região, com ameaças e xingamentos contra quem trabalha no local. Até o playground da praça passou a ser usado como abrigo. Uma mãe que leva o filho de três anos para brincar no espaço conta que sempre carrega um pano na bolsa para limpar os brinquedos e o escorregador.

O problema não é novo. Em julho deste ano, um morador de um prédio filmou uma briga envolvendo pessoas em situação de rua no entorno da praça. Nas imagens, um andarilho arremessa vários tijolos na direção de outro homem, e um carro estacionado acabou danificado durante a confusão.
Associação cobra ações
O presidente da Associação de Moradores do Centro afirma que a entidade vem cobrando do poder público ações mais efetivas para conter o aumento da população de rua, mas diz que o problema vem se agravando. Segundo ele, recentemente havia 15 pessoas em situação de rua em frente ao Bradesco, duas na Praça da Bíblia e outras espalhadas pelas ruas do Centro.
O presidente da associação também alerta que, ao dar roupas, agasalhos, alimentos e dinheiro aos andarilhos, turistas e moradores acabam contribuindo para que eles permaneçam no local. Para ele, esse tipo de ajuda não resolve a situação de quem vive nas ruas.
“Ele não está contribuindo com caridade nenhuma, ele está atrapalhando eles evoluírem, procurarem um destino que seja benéfico para eles.”
Presidente da Associação de Moradores do Centro
Quem convive com o problema diariamente cobra políticas públicas mais firmes. Entre as sugestões ouvidas na praça estão cercar o parquinho e fazer um acompanhamento das pessoas em situação de rua, com cadastro e encaminhamento de cada uma ao seu estado de origem.

O que dizem Prefeitura e PM
A Prefeitura de Guarapari informou que realiza abordagens sociais diárias a pessoas em situação de rua e oferece encaminhamento ao Centro Pop. A Secretaria Municipal de Trabalho, Assistência e Cidadania (Setac) destaca que a solução das demandas na Praça Irineu José Vicente depende da atuação integrada da assistência social, da Codeg e das forças de segurança.
A Polícia Militar disse que realiza policiamento constante no Centro, com abordagens e ações preventivas, e reforçou a importância da colaboração da comunidade com informações sobre crimes para orientar o planejamento das ações policiais no município.