COLETORES NÃO RECEBERAM UM ADIANTAMENTO QUE DEVERIA SER PAGO NESTA TERÇA-FEIRA
Sindicato aponta atraso no pagamento de cerca de 110 terceirizados; Codeg diz ter feito o repasse e Justiça garante 60% da coleta durante a paralisação.
Assista à reportagem completa do Jornal Guarapari.
Coletores de lixo e garis de Guarapari entraram em greve nesta quarta-feira (21), e a limpeza urbana amanheceu parada na cidade, com os caminhões coletores estacionados. A coleta não foi realizada e os profissionais ficaram na sede da empresa contratada pela Prefeitura. Segundo o sindicato que representa a categoria, a paralisação ocorre por atraso no adiantamento que deveria ter sido pago no dia 20 de outubro.

A paralisação envolve cerca de 110 trabalhadores terceirizados. De acordo com o sindicato, os atrasos nos pagamentos não são de agora, e a entidade já havia tentado o diálogo com o município e com a empresa em outros momentos. Na segunda-feira, o sindicato comunicou ao prefeito que, se o adiantamento não estivesse na conta no dia 20, as atividades seriam paradas no dia 21.
“Esses trabalhadores eles já vêm sofrendo atrasos de pagamento, não é de agora.”
Representante do sindicato dos trabalhadores
Codeg diz que fez o repasse
A Codeg afirma que não há atraso de salário por parte da companhia. Segundo o presidente do órgão, a Prefeitura repassou o valor à empresa contratada, que não pagou os funcionários. Ele disse que a Codeg já está entrando com as medidas legais cabíveis para garantir que o serviço continue sendo prestado à comunidade.
“A prefeitura fez, nós fizemos o repasse para a empresa, então a empresa não repassou para os funcionários.”
Presidente da Codeg
Greve considerada ilegal
Segundo dados da Codeg, Guarapari produz por mês aproximadamente 4 mil toneladas de lixo na baixa temporada, número que pode até dobrar na alta temporada. Diante da importância do serviço, a companhia considera o movimento ilegal: de acordo com o presidente, o sindicato e a empresa deveriam ter comunicado a paralisação com pelo menos 72 horas de antecedência e garantido o funcionamento mínimo de 30%, o que não foi feito. Já o sindicato afirma que a mão de obra só volta a 100% quando o pagamento estiver na conta.

Decreto muda a gestão da coleta
Na terça-feira (20), foi publicado no Diário Oficial um decreto que determina que a Secretaria Municipal de Obras assuma a gestão dos serviços de coleta e destinação de resíduos sólidos, hoje sob responsabilidade da Codeg. O texto também autoriza a Prefeitura a fazer uma contratação emergencial, se necessário, com prazo máximo de um ano e sem possibilidade de prorrogação.

Sobre a mudança, a Secretaria de Comunicação da Prefeitura informou que vai marcar uma coletiva de imprensa nos próximos dias para explicar como a nova gestão vai funcionar na prática e como será feita a coleta emergencial.
Empresa cobra repasses e Justiça garante 60%
Procurada pela reportagem, a empresa contratada inicialmente preferiu não se pronunciar. Depois, afirmou que não tem recebido os repasses integrais da Codeg: segundo ela, foram pagos apenas 15% do valor devido referente ao mês de julho, e outros valores em aberto somam mais de R$ 6 milhões, o que levou ao atraso no pagamento dos funcionários. A Prefeitura e a Codeg afirmam que a administração está dentro dos prazos legais para fazer esses pagamentos.
Ainda nesta quarta-feira, a Prefeitura e a Codeg conseguiram uma liminar na Justiça que garante a realização de 60% do serviço de coleta durante a greve. Em caso de descumprimento, o sindicato está sujeito a multa de R$ 20 mil por dia. A TV Guarapari segue acompanhando o caso.